... Em construção e revisão ... - Sabedoria do Ócio

-... Em Construção - Por isso a Bagunça fará parte até que uma organização seja possível...-

Este Blog está direcionado à quebra de um paradigma, em que o "ÓCIO", tão discriminado tomará outra perspectiva, e mudará o modo como é visto àqueles que tem tempo para pensar.
Em primeiro lugar, queria citar um exemplo claro de ociosidade que foi utilizada para a evolução de pensamentos, e nada melhor do que citar os filósofos, os cientistas, os poetas, pintores, músicos, etc... todos eles antes de chegarem a ser intitulados como tal, passaram horas a fio determinando conceitos e os pondo em prática, enquanto quem não tinha dom algum ia pro batente, pra labuta, e conseqüentemente esses, ficavam com inveja de quem tinha capacidade de enxergar o mundo de outra forma, e de se dispor a gastar seu tempo em busca de soluções de problemas que afligiam o mundo ou tornar o mundo um lugar melhor, cada um fazendo sua concepção do que o mundo precisava pra se tornar melhor.
... correção ainda se faz necessária...

sábado, 26 de setembro de 2009

O Mito da Caverna




Imaginemos uma caverna subterrânea onde, desde a infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre no mesmo lugar e a olhar apenas para a frente, não podendo girar a cabeça nem para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que alguma luz exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi-obscuridade, enxergar o que se passa no interior.
A luz que ali entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. Entre ela e os prisioneiros - no exterior, portanto - há um caminho ascendente ao longo do qual foi erguida uma mureta, como se fosse a parte fronteira de um palco de marionetes. Ao longo dessa mureta-palco, homens transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e todas as coisas.
Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela, os prisioneiros enxergam na parede do fundo da caverna as sombras das estatuetas transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as transportam.
Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginam que as sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que enxergam porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda a luminosidade possível é a que reina na caverna.
Que aconteceria, indaga Platão, se alguém libertasse os prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? Em primeiro lugar, olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar, dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando com o caminho ascendente, nele adentraria.
Num primeiro momento, ficaria completamente cego, pois a fogueira na verdade é a luz do sol, e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois, acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante toda sua vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria realidade.
Libertado e conhecedor do mundo, o priosioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria aos outros o que viu e tentaria libertá-los.
Que lhe aconteceria nesse retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, não acreditariam em suas palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas caçoadas, tentariam fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo.

Platão

Extraído do livro "Convite à Filosofia" de Marilena Chaui.